Quando se fala em asas de parapente, aparecem termos como DHV ou AFNOR. Estes termos representam sistemas de homologação, mas não são os únicos. Existem também outros como o CE (CEN), AFNOR, ACPUL, FFVL e SHV. Neste texto vamos mostrar as principais caractrísticas dos mais utilizados.
DHV
DHV, abreviatura de Deutscher Hangegleiter Verband, é a Associação de Voo Livre Alemã. O sistema DHV tem sido o mais utilizado e conhecido na Europa. Este sistema divide as asas em cinco categorias: DHV 1, DHV 1-2, DHV 2, DHV 2-3 e DHV 3. Uma asa DHV 1 é a mais fácil de voar embora lenta, e no outro extremo, uma DHV 3 é muito rápida mas apenas pilotos com muita experiência a devem manobrar. Além da classificação poderá ter um sufixo a designar algum tipo de informação extra ou restrição.
Classificação |
Sufixo |
Description |
1 |
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Parapentes com características dinâmicas simples e muito tolerantes a erros. Lentos, mas muito estáveis. |
1-2 |
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Parapentes com boas características de vôo e alguma tolerância a erros. |
2 |
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Parapentes com características de vôo com alguma exigência e potênciais reacções dinâmicas à turbulência e a erros de piloto. Recomendados para pilotos que voam com regularidade. |
2-3 |
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Parapentes com características de vôo muito exigêntes e potênciais reacções violêntas à turbulência e a erros de piloto. Recomendados para pilotos experientes que voam com regularidade. |
3 |
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Parapentes com características de vôo muito exigêntes e potênciais reacções muito violêntas à turbulência e a erros de piloto. Pouco espaço para erros do piloto. Recomendados apenas para pilotos muito experientes. |
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G |
Exclusivo para alguns tipos de cadeiras em listagem anexa ao relatório de certificação. |
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GH |
Cadeiras com sistema de fechos em "H" - qualquer cadeira do grupo GH poderá ser usada (praticamente todas as actuais cadeiras com certificação DHV/OeAeC)
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GX |
Cadeiras com sistema de fechos cruzados - qualquer cadeira do grupo GX poderá ser utilizada
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Biplace |
Certificado para bilugar |
fonte: www.dhv.de |
Os testes DHV centram-se principalmente na segurança, não se preocupando tanto com handling e performance.Os pilotos de teste colocam as asas em situações pouco habituais de acontecer e verificam como esta recupera. Estes vôos são gravados e monitorizados.
Além dos testes de dinâmica de vôo, são feitos testes de carga. Por exemplo, qual a carga suportada pelas linhas quando, após um fecho, se dá a reabertura da asa. Ou o estado do tecido e costuras após uso prolongado.
Apesar de ter investido fortemente na criação da norma EN, a DHV vai continuar a melhorar os seus testes. Esta decisão deve-se ao facto das demoradas negociações para as mudanças nas normas EN. Protocolos definidos em 2001 apenas foram aprovados em 2005.
Em 2008 a DHV vai ter novos testes além dos já utilizados.
Fechos assimétricos: Na prática, os fechos assimétricos dão-se, principalmente, devido à turbulência.
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Clique na foto para ver o video. |
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Nestas duas fotos as asas estão a dobrar em ângulos maiores que 45º |
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fotos e video: www.DHV.de |
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Nas novas homologações DHV 1 e DHV 1-2 terão que ter, no máximo 60% de fecho, com ângulo de 60° ao eixo lateral. Anteriormente este teste admitia máximos de 75%. Este teste foi introduzido para observações práticas: vídeos, relatórios de instrutores e estatisticas de acidentes, onde verificam claramente casos em que a turbulência provoca reacções muito agressivas por parte de algumas asas. Este teste será também efectuado em asas DHV 2 que apresentem fechos com ângulos acima de 45° “por iniciativa própria”.
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| Do lado esquerdo: novo teste introduzido - fechos a afectar 60% da área com 60º de ângulo ao eixo lateral. À direita: o teste já existente - 75% de área afectada com ângulo de 45º |
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| A asa é marcada para controlo exacto e ser possível repetir o teste. |
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| Aproximadamente 75% de fecho, com 45º de ângulo |
Aproximadamente 60% de fecho, com 60º de ângulo |
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| fotos: www.DHV.de |
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Espiral: o piloto de teste inicia uma espiral com manobrador e corpo e depois solta tudo e coloca o corpo em posição neutra para ver o comportamento do parapente. Neste teste, as asas são classificadas da seguinte forma:
- Desaceleração em menos de 720° - DHV 1
- Velocidade constante, com terminação simples pela leve utilização dos manobradores/corpo – DHV 1
- Pequena aceleração , com terminação simples pela leve utilização dos manobradores/corpo – DHV 1-2
- Velocidade constante, com terminação exigente – DHV 2 ou superior
- Aceleração com terminação exigente – DHV 2 ou superior
Os novos procedimentos garantem testes e avaliações mais precisas nas areas particularmente relevantes aos acidentes em vôo.
Exigências em outros equipamentos:
Sistemas de emergência – a perca de altitude máxima para a abertura do sistema foi reduzido de 60m para 50m. Além disso, terão que ter um sistema uniforme e standard de montagem. Esta medida servirá para evitar dificuldades nas montagens e consequentes problemas na sua abertura. O comprimento do manípulo ao sistema não poderá exceder os 45cm.
Cadeiras – futuramente, terão que possibilitar a montagem de protecções laterais
Concepção de parapentes – os fabricantes terão que marcar as linhas dos manobradores, de forma a que o seu percurso fique permanentemente visível
A.F.NOR
O sistema AFNOR era utilizado pela Associação Francesa de Normalização e dividia as asas nas categorias Standard, Performance e Competição. O standard equivale ao DHV1, embora seja mais vasta, e por isso, nem todas as asas Standard podem ser utilizadas por alunos.
Nem todos os testes eram feitos a todas as asas, apenas os testes relevantes à categoria proposta eram realizados. Tal como o DHV, eram feitos testes de carga estática e testes em voo. O processo AFNOR contava com um total de 17 testes de voo.
Antes de 1994 a AFNOR era a ACPUL, Association dês Constructeurs de Parapente Ultra Legers.
Este sistema tem vindo a ser substituído pelo EN.
EN (CEN)
CEN significa Comité Europeu de Normalização. Actualmente o CEN designa-se apenas EN.
Este sistema é relativamente recente e é uma tentativa de juntar os melhores dos sistemas DHV e AFNOR. Recebeu informação e ideias de várias federações de voo livre europeias, em especial da França (FFVL), Itália (FIVL), Reino Unido (BHPA), Alemanha (DHV) e Suíça (SHV).
A norma EN é mais restrita que a AFNOR e alguns testes novos foram adicionados. Por exemplo, algumas asas actualmente marcadas como Competição pela AFNOR não passariam na certificação EN.
Na AFNOR os testes davam ênfase ao tempo de recuperação da asa às várias situações no ar. No EN, estas medidas foram combinadas com as medidas DHV da quantidade de viragem ou inclinação induzida pelas mesmas situações. Outro aspecto dos testes DHV adoptados pelo EN é o percurso de travão esperado antes do parapente entrar em perda ou em espiral.
O sistema EN divide os parapentes em 4 categorias, A, B, C e D. Uma asa classificada A é equivalente a uma DHV 1. No outro extremo, um parapente de classe D só deveria ser manobrada por pilotos de competição ou equivalentes em termos de frequência e horas de voo.
Até finais de 2006 EN continuou a catalogar o parapentes pelo nomes AFNOR Standard, Performance e Competição.
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Characterísticas de vôo |
Experiência Requirida |
| A |
Parapentes com o máximo de segurança passiva e extremamente tolerantes. Asas com boa resistência a sair de vôo normal. |
Destinado a todos os pilotos, incluindo todos os níveis de instrução. |
| B |
Parapentes com muita segurança passiva e tolerantes. Asas com alguma resistência a sair de vôo normal. |
Destinado a todos os pilotos, incluindo todos os níveis de instrução. |
| C |
Parapentes com segurança passiva moderada e possíveis reacções dinâmicas à turbulência e erros do piloto. Recuperação para vôo normal pode necessitar controlo preciso por parte do piloto. |
Destinado a pilotos que voam de forma activa e regularmente, familiarizados com técnicas de recuperação. |
| D |
Parapentes com características de vôo exigentes e possíveis reacções violentas à turbulência e erros do piloto. Recuperação para vôo necessita de controlo preciso por parte do piloto. |
Destinado a pilotos que voam de forma muito activa, bastante prática em técnicas de recuperação, e experiência de vôo em condições turbulentas. |
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| União Europeia |
Comparação entre sistemas
| Organização |
Classificações |
Diferenças |
| DHV - Alemã |
1, 1-2, 2, 2-3, 3 |
Para fechos e outras manobras. Classificações baseadas mais em recuperação do que em resistência.
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| EN (CEN) - Europeia |
A, B, C, D |
Combinação entre resistência e facilidade de recuperação.
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SHV - Swiça
& AFNOR |
Standard, Performance, Competição |
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Equivalência entre sistemas
| DHV |
AFNOR |
CEN |
Description |
| 1 |
Standard |
A |
A mais tolerante nas manobras. Recupera rapidamente de fechos, espirais e outras manobras sem necessidade de controlo do piloto.
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| 1-2 |
Standard |
B |
Tolerante nas manobras, recuepra rapidamente com um mínimo de controlo do piloto.
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| 2 |
Performance |
C |
Características mais exigentes e reacções mais fortes a turbulência, fechos e outras manobras. Pouco tolerante.
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| 2-3 |
Performance |
C |
Características mais exigentes e reacções mais fortes a turbulência, fechos e outras manobras. Para pilotos com experiência.
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| 3 |
Competition |
D |
Características muito exigentes. Necessita experiência avançada em técnicas de recuperação. Para pilotos muito experiêntes.
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A informação aqui disponibilizada foi obtida e traduzida de: www.dhv.de; www.ojovolador.com; www.footflyer.com