Factores de risco que influenciam a prática do Parapente (...continuação da newsletter 8 - parte 2 de 2)
- A escolha da asa (pilotos autónomos)
Confiança
A confiança é muitas vezes um factor ignorado, no entanto, penso que é o mais importante na eleição e escolha da asa. Se te sentes bem numa asa, invariavelmente voarás melhor do que numa que te ponha nervoso. Se perdes a confiança e te assustas numa situação mais complicada ou em condições fortes, também perdes a iniciativa de tomar decisões bem calculadas, porque a adrenalina e o medo tomaram conta da tua capacidade de julgamento precisamente no momento em que mais precisavas de as teres claras. Por outro lado, se realmente desfrutas da tua asa e te sentes cómodo debaixo dela, então será mais difícil que chegues a sentir-te perturbado, e portanto, terás maior oportunidade de tomar decisões correctas todo o tempo.
A eleição básica
Actualmente existem tantas marcas e modelos no mercado que obter a mais adequada pode ser muito confuso.
Isto é o que faria:
Em primeiro lugar, ignoraria moda e estilo, e tão pouco me converteria num escravo dos valores ou resultados: existe pessoal que por exemplo soma os resultados das provas DHV e a que obtêm o melhor resultado é o parapente a comprar (... meu Deus..!?).
Também existem pilotos que compram um parapente porque o amigo também tem aquele modelo (... isto é que é amizade...!?).
Ou outros que estão completamente influenciados pelas velocidades máximas, e os valores sobre o rendimento que o próprio fabricante dá (... a receita para o completo desastre...!?).
Finalmente, alguns compram porque tem uma cor e um design bonito (... até condiz com o arnês ou com capacete ou ainda com a cor do carro...!?).
Eu evitaria todos estes factores e simplesmente faria uma honesta avaliação das minhas capacidades, com a qual, poderia ir buscar uma asa que me desse total confiança ao estar no ar.
Que tipo de piloto sou
È importante ser realista acerca das nossas capacidades!
Se és um piloto ocasional que voa cerca de 50 horas por ano, então a eleição é fácil:
Uma asa até DHV 1-2 ou AFNOR Standart com uma estabilidade e facilidade de manuseio que te mantém confiante, inclusive se tens períodos sem voar de um mês ou mais, o que quer dizer que não és totalmente activo. Não caías no disparate de menosprezar estas asas como “asas de principiantes”.
Actualmente, o rendimento destas asas é excelente e muitos pilotos de grande curriculum afirmam que fizeram os melhores voos da sua vida com estas asas, antes de ter infelizes experiências com parapentes “mais performantes” ou de homologação superior.
Se tens a sorte de poder voar quase todas as semanas e manter-te activo como parapentista, poderás considerar então uma asa DHV2 (importante que voes activo em todas as situações, quer no voo de montanha quer no voo de praia em condições fracas e fortes).
Se voares com muita confiança e se honestamente tens uma grande experiência, e voas todo o tempo. Poderás então considerar uma categoria DHV 2-3.
Recorda que a máquina voadora que estás pronto a comprar dela dependerá a tua SEGURANÇA, e tudo depende desta decisão.
Voo de Experimentação
A situação ideal seria:
Uma vez que tenhas restringido a tua área de busca a uns dois ou três modelos, tenta a hipótese de fazer um voo de experimentação. Isto com certeza será o que mais te informará (ATENÇÃO em que condições experimentas cada um, ou seja, se em montanha ou praia, se com muito ou pouco vento, se com instabilidade ou vento laminar, etc).
Neste caso, o mais importante não será o discurso de cada vendedor ou o que cada um te poderá fazer de descontos ou “benesses”. Pensa em como te sentes em cada um dos modelos ao voá-lo; se descolou facilmente e aterrou; se é dinâmico ou tipo “camião”; finalmente se te sentiste confortável e confiante a cada minuto que passaste com ele.
O que tiver mais “sim” (s) é provavelmente o modelo para ti. Não importa se os teus amigos estão a comprar outro modelo a um preço mais barato, o que acontece é que no final quem tem que voar com o parapente és tu, não eles.
Se pensares bem, vais ter que gastar dinheiro!..., seria uma parvoíce não comprares a asa, na qual, realmente te sentes bem só porque outra é umas dezenas de euros mais barata.
Que tamanho de asa?
O tamanho da asa parece ser sempre um problema, mas que, na realidade é bastante simples de resolver. Deves considerar o teu peso nu e somar 20 Kg mais. Isto dar-te-á o teu “peso total em voo”. Conhecendo-o podes equacionar que te deixe mais próximo do meio do peso do especificado para a gama de pesos da asa. Se estás no limite entre dois tamanhos, então deves analisar que tipo de voo fazes e escolher de acordo com isso. Por exemplo, se as tuas expectativas são as de voar em condições de vento razoavelmente forte (tipo o voo em praia), então um pouco mais de carga na tua asa dar-te-á um pouco mais de velocidade, pelo que o tamanho mais pequeno seria o mais conveniente. Por outro lado, se normalmente voas em condições suaves o tamanho maior será a melhor opção, já que te vai dar uma taxa de descida suavemente menor o que te ajudará a subir melhor.
Se por outro lado, estás sempre a voar em condições térmicas fortes o tamanho mais pequeno vai fazer com que te sintas mais confortável em voo. No entanto, não deixes que esta situação te ponha nervoso: estarás seguro com qualquer um dos tamanhos, por isso compra aquele que te faça sentir melhor.
Cada piloto deseja algo um pouco diferente, recorda-te que as modas não interessam. A única coisa que importa é que no ar te sintas cómodo e confiante.
Resumo:
No final do dia o que importa não é quem esteve mais alto ou voou mais longe. O que importa é que chegues a casa depois de teres tido um grande dia de voo, com um enorme sorriso estampado no rosto, a cabeça cheia de lindas paisagens, e um sentimento fantástico no teu interior, porque é disso que trata o nosso voo.
Bons voos...
Rob Whittall

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